Publicado por: pastoralulbra | 08/07/2008

Pai do Genoma Humano afirma: “Ser ateu é anticientífico”

Pai do Projeto Genoma Humano diz, em obra que acaba

de ser lançada no Brasil, que ser ateu é anticientífico

 

No mundo Ocidental, desde sempre, Ciência e Religião se enfrentaram. Ao ponto de se estabelecer o preconceito imbecil de que cientistas e religiosos são, por natureza de suas vocações, inimigos naturais. Se papas, bispos, pastores e padres olham com desconfiança os que buscam a verdade nos laboratórios, no mundo da pesquisa científica a fé é vista, no mínimo, como sinal de ingenuidade e ignorância. 

Nas últimas décadas, as pesquisas no campo da genética se tornaram o ponto mais sensível desse enfrentamento. Apressadinhos de ambos os lados começaram a comemorar, antecipadamente, que a descoberta do código genético do ser humano daria aos laboratórios a condição de se igualarem a Deus, criando gente sob encomenda como as montadoras de veículos produzem carros segundo as tendências do mercado. 

E foi justamente no ambiente dessas pesquisas que apareceu alguém com coragem para dizer que um cientista pode crer em Deus, professar a sua fé, sem deixar de ser respeitado pelo seu valor como pesquisador e estudioso: Francis Collins. 

Biólogo respeitadíssimo, Collins é um dos cientistas mais notáveis da atualidade. Diretor do Projeto Genoma, bancado pelo governo americano, foi um dos responsáveis por um feito espetacular da ciência moderna: o mapeamento do DNA humano, em 2001. Desde então, tornou-se o cientista que mais rastreou genes com vistas ao tratamento de doenças em todo o mundo.  

Alvo de críticas de seus colegas, cuja maioria nega a existência de Deus, Collins decidiu reagir. “Ignorância, superstição e falta de bom senso é negar a existência de Deus a priori, sem pensar de forma séria e metódica sobre o assunto. Nada é mais anticientífico do que ser ateu”.

E para explicar direitinho essa sua convicção, o cientista publicou, ano passado, nos Estados Unidos, um livro que causou a maior polêmica. Agora, acaba de chegar às livrarias brasileiras a tradução do polêmico best-seller de Francis Collins, com o título “A Linguagem de Deus: um cientista apresenta evidências de que Ele existe”, publicado no Brasil pela Editora Gente.  

CONVERSÃO

Até seus 27 anos, Collins era um ateu convicto. Foi somente na faculdade de Medicina que começou a perceber o verdadeiro poder da fé religiosa entre seus pacientes. Então, começou a mudar. Hoje, Collins é considerado um cientista religioso que defende a existência de Deus e a importância da ciência para a humanidade.

Collins, que nas horas livres gosta de pilotar sua motocicleta, escrever paródias e tocar violão, por mais de 12 anos liderou o Projeto Genoma Humano. Com o apoio de Bill Clinton, empenhou-se em revelar a seqüência do DNA. Levou um susto quando o então presidente dos EUA afirmou, no dia da conclusão do projeto, que “hoje estamos aprendendo a linguagem com a qual Deus criou a vida”. Pensou em discordar de Clinton na hora, mas resolveu refletir sobre o assunto.  

No livro, Collins explica que a experiência de mapear o genoma humano, além de ser um mergulho no mais notável dos textos – o DNA -, pode ser encarada tanto como uma conquista científica quanto também uma descoberta digna de veneração. Ao combinar sua fé cristã à experiência adquirida na área de estudos genéticos, Collins se debruçou sobre questões de caráter científico e espiritual simultaneamente, e afirma que “a ciência não deve se sentir ameaçada por Deus, mas sim reforçada. E Deus certamente não está ameaçado pela ciência; foi Ele quem tornou tudo isso possível”. 

Para ele, “é nosso dever levar em consideração todo o poder das perspectivas científica e espiritual para entendermos tanto aquilo que enxergamos quanto aquilo que não enxergamos. E a sacada desse livro é a soberba integração entre essas duas perspectivas”. O pesquisador afirma que há uma base racional para crer na existência de um Criador e que todas as descobertas científicas “aproximam o homem de Deus”. E, por isso, acredita que uma das grandes tragédias do nosso tempo é a impressão que se criou de que ciência e religião devam estar em guerra. 

Partindo de sua experiência, Collins afirma que decifrar o genoma humano não criou um conflito em sua mente; porém, lhe permitiu verificar os trabalhos de Deus. “O problema é que nos últimos 20 anos, com muita freqüência, as vozes que são ouvidas nos debates públicos sobre esses temas são aquelas que defendem posições extremas”, afirma. O livro de Collins chega ao Brasil sob a luz dos holofotes da polêmica. Pena que por aqui a maioria das pessoas não vai se preocupar em debater o assunto, seja no mundo científico seja no mundo religioso.

03/04/2007 – Diário da Manhã, Goiânia Ton AlvesDiretor de Redação

 

 

 

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